A certificação em termografia tem três níveis: Nível 1, Nível 2 e Nível 3. Eles correspondem às Categorias I, II e III da ISO 18436-7, a norma internacional que define como qualificar e avaliar profissionais de termografia no monitoramento de condição de máquinas. Em resumo: o Nível 1 faz imagens confiáveis seguindo um procedimento; o Nível 2 mede com precisão, analisa e responde pelo diagnóstico; o Nível 3 cria, gerencia e responde pelo programa de termografia inteiro.
Por que a termografia tem níveis de certificação
Qualquer pessoa consegue apontar uma câmera térmica e gerar uma imagem colorida. O difícil é garantir que a imagem diz a verdade. Uma superfície brilhante reflete o calor do ambiente e parece quente sem estar. Uma conexão com pouca carga elétrica parece normal e esconde um defeito. Uma emissividade mal ajustada pode distorcer bastante a temperatura lida.
Os níveis existem para separar responsabilidades de acordo com o risco da decisão:
- Coletar dados com técnica correta, seguindo um procedimento escrito.
- Interpretar e medir, entendendo os limites do equipamento e das condições de campo.
- Definir as regras: o que inspecionar, com que frequência, com quais critérios de severidade e quem pode assinar.
Quem define os níveis: ISO 18436-7, ASNT e ITC
Três referências aparecem quando o assunto é certificação em termografia. Elas não competem entre si; se complementam.
ISO 18436-7
A ISO 18436-7 trata da qualificação de pessoal em termografia aplicada ao monitoramento de condição e diagnóstico de máquinas. Ela organiza o profissional em Categorias I, II e III, descreve o que se espera de cada uma e estabelece exigências de treinamento, experiência e exame. Como toda norma, ela é revisada de tempos em tempos: consulte a versão vigente antes de usá-la como base de um procedimento interno.
ASNT
A ASNT (American Society for Nondestructive Testing) publica diretrizes para qualificar pessoal em ensaios não destrutivos, e a termografia infravermelha é um dos métodos cobertos. No modelo da ASNT, a empresa empregadora costuma ter uma prática escrita que define como seus profissionais são treinados, avaliados e certificados nos Níveis I, II e III.
ITC (Infrared Training Center)
O ITC é o centro de treinamento da FLIR e forma termografistas em vários países. Os cursos do ITC seguem as diretrizes da ASNT e a ISO 18436-7, terminam com exame e emitem a certificação do nível correspondente. Por isso os cursos aparecem com o nome duplo: Nível 1 / Categoria I, Nível 2 / Categoria II e Nível 3 / Categoria III. A certificação ITC tem validade de 5 anos.
Nível 1 (Categoria I): o termografista que coleta dados confiáveis
O Nível 1 é a porta de entrada. Ele forma o profissional que opera a câmera com segurança, produz imagens térmicas confiáveis e reconhece as anomalias típicas em sistemas elétricos, mecânicos e prediais.
O que o Nível 1 aprende e faz:
- Fundamentos de transferência de calor (condução, convecção e radiação) e do infravermelho.
- Emissividade e refletividade: por que a mesma temperatura aparece diferente em materiais diferentes.
- Operação da câmera: foco, faixa de temperatura, paleta, nível e amplitude da imagem.
- Reconhecimento de padrões: conexão aquecida, fase sobrecarregada, mancal quente, perda de isolamento.
- Como evitar falsos positivos, como reflexos e diferenças de material.
- Registro e relatório básico dos achados.
Pré-requisitos: no curso oficial ITC Nível 1, nenhum. Não é preciso experiência prévia com termografia. Uma base técnica em elétrica, mecânica ou manutenção ajuda a aproveitar mais, mas não é obrigatória.
Carga horária: 32 horas, em 4 dias, com teoria, laboratório e exame de certificação ao final.
Quem deve buscar: técnicos e engenheiros de manutenção, eletricistas, profissionais de inspeção predial, prestadores de serviço que vão começar a oferecer termografia e quem acabou de comprar uma câmera e quer usá-la direito. Detalhes do curso em Curso de Termografia Nível 1 oficial ITC.
Limite do Nível 1: ele trabalha melhor dentro de um procedimento definido por alguém mais experiente. Medições quantitativas que embasam decisões críticas, como a de parar um equipamento, pedem a análise de um Nível 2.

Nível 2 (Categoria II): o analista que mede e diagnostica
O Nível 2 separa quem tira fotos térmicas de quem responde pelo diagnóstico. É o profissional que mede temperatura com precisão conhecida, entende os limites da medição e classifica a severidade de cada achado.
O que o Nível 2 aprende e faz:
- Medição quantitativa: emissividade, temperatura refletida, transmissividade e distância.
- Resolução espacial: o tamanho mínimo do alvo que a câmera mede com confiança a determinada distância.
- Estimativa de erro: quando uma leitura é confiável e quando não deve ser usada.
- Critérios de severidade para anomalias elétricas e mecânicas e definição de prioridade de reparo.
- Relatórios técnicos completos, rotas de inspeção e acompanhamento de tendências.
Pré-requisitos: o Nível 2 é para quem já tem o Nível 1 e prática real de inspeção. A ISO 18436-7 associa cada categoria a uma combinação de treinamento e experiência; consulte a versão vigente da norma e as regras do ITC para saber o que vale no seu caso.
Quem deve buscar: termografistas Nível 1 que já fazem rotas, técnicos e engenheiros que coordenam a manutenção preditiva e prestadores de serviço que emitem laudos para clientes. Em muitas contratações de serviço de termografia, o Nível 2 é o requisito mínimo para quem assina o relatório. Veja o programa em Curso e Certificação em Termografia Nível 2.
Nível 3 (Categoria III): o especialista que responde pelo programa
O Nível 3 é o topo da formação. Ele não é "um Nível 2 que sabe mais física"; é outra função. O Nível 3 cria e mantém o programa de termografia, escreve os procedimentos, define os critérios de aceitação, qualifica a equipe e responde tecnicamente pelos laudos da organização.
O que o Nível 3 aprende e faz:
- Gestão do programa: escopo, rotas, periodicidade, indicadores e retorno sobre o investimento.
- Procedimentos e instruções de trabalho: redação, validação e revisão.
- Normas e qualificação de pessoal: como estruturar o treinamento e a certificação interna.
- Critérios de severidade por tipo de ativo e revisão desses critérios com base no histórico.
- Qualidade dos laudos: revisão técnica, rastreabilidade e auditoria.
- Física e radiometria aplicadas a casos complexos.
Pré-requisitos: certificação Nível 2 e experiência comprovada de campo. É o nível de quem já viu muitos casos, errou, corrigiu e sabe explicar por quê.
Quem deve buscar: coordenadores e gerentes de preditiva e confiabilidade, responsáveis técnicos de empresas de serviço, consultores e auditores de programas de inspeção. Conteúdo completo em Curso e Certificação em Termografia Nível 3.
Tabela comparativa dos níveis 1, 2 e 3
| Aspecto | Nível 1 / Categoria I | Nível 2 / Categoria II | Nível 3 / Categoria III |
|---|---|---|---|
| Papel principal | Coletar imagens confiáveis e reconhecer anomalias | Medir, analisar, classificar severidade e recomendar | Criar e gerir o programa, definir critérios e qualificar a equipe |
| Tipo de termografia | Principalmente qualitativa (comparação de padrões) | Qualitativa e quantitativa (temperatura com erro conhecido) | Todas, com foco em método, procedimento e auditoria |
| Pré-requisito | Nenhum no curso ITC | Nível 1 e prática de inspeção | Nível 2 e experiência comprovada |
| Trabalha com procedimento | Segue | Aplica e adapta | Escreve e aprova |
| Laudo | Registra os achados | Elabora e assina o diagnóstico | Revisa, audita e responde pela qualidade |
| Perfil típico | Técnico, eletricista, inspetor iniciante | Analista de preditiva, prestador de serviço | Coordenador, responsável técnico, consultor |
| Validade (certificação ITC) | 5 anos | 5 anos | 5 anos |
Validade e renovação da certificação
A certificação emitida pelo ITC vale 5 anos. Nesse período, o profissional tem acesso ao portal do ITC, a webinars e a conteúdo de atualização. Perto do vencimento, a renovação segue as regras do ITC vigentes na época; confirme o processo com antecedência para não ficar com a certificação vencida no meio de um contrato.
No modelo da ASNT, em que a empresa certifica o próprio pessoal, as regras de validade e recertificação ficam na prática escrita da empresa. Em qualquer modelo, a lógica é a mesma: a certificação comprova competência em um momento. Manter a prática em campo é o que mantém a competência viva.
Qual nível buscar: um guia rápido por perfil
- Nunca trabalhou com termografia: Nível 1. Não existe atalho, e o Nível 1 é exatamente o ponto de partida.
- Comprou uma câmera e usa "no olho": Nível 1. Você vai entender por que algumas leituras não batiam e como evitar falsos positivos.
- Faz rotas há algum tempo e precisa assinar laudos: Nível 2. É ele que dá base às medições e aos critérios de severidade.
- Vai abrir uma empresa de serviço de termografia: Nível 1 para começar; planeje o Nível 2 para dar credibilidade aos laudos.
- Coordena a preditiva ou responde por uma equipe de termografistas: Nível 3, depois de passar pelo Nível 2.
Se ainda está decidindo se a profissão é para você, veja como se tornar termografista, com o passo a passo da formação à primeira rota.
Como se preparar para cada nível
Antes do Nível 1
Revise conceitos de calor e temperatura, unidades de medida e noções de elétrica e mecânica. Se tiver acesso a uma câmera, observe objetos do dia a dia: uma caneca, uma janela, um quadro de distribuição desligado e ligado. Perguntas que surgem nessa fase rendem muito no curso.
Entre o Nível 1 e o Nível 2
Faça inspeções reais e registre tudo: condições de carga, emissividade usada, distância, temperatura ambiente. Guarde os casos em que errou. O Nível 2 ganha sentido quando você já se perguntou "posso confiar nessa leitura?". Aprofunde o tema da emissividade na termografia, que é a base da medição quantitativa.
Entre o Nível 2 e o Nível 3
Assuma responsabilidades de programa: proponha rotas, revise critérios, ajude a treinar colegas, participe de análises de falha. O Nível 3 cobra visão de sistema e capacidade de escrever regras que outras pessoas vão seguir.
Erros comuns ao planejar a certificação
- Achar que a câmera substitui o curso. Câmeras modernas facilitam a operação, mas não interpretam o que veem.
- Pular etapas. Cada nível depende do anterior. Chegar ao Nível 2 sem prática de campo rende pouco.
- Confundir curso de operação com certificação. Um treinamento de uso de equipamento é útil, mas não equivale a uma certificação com exame alinhada à ISO 18436-7.
- Ignorar a segurança. A certificação em termografia não substitui o treinamento de NR-10 para quem trabalha em instalações elétricas.
Perguntas frequentes
Posso fazer o Nível 2 direto, sem o Nível 1?
Não é o caminho indicado. O Nível 2 parte do conteúdo do Nível 1 e pressupõe prática de inspeção. O ponto de partida é o Nível 1.
Nível e categoria são a mesma coisa?
Na prática, sim. "Nível" é o termo mais usado no mercado e nas diretrizes da ASNT; "Categoria" é o termo da ISO 18436-7. Por isso os cursos ITC aparecem como Nível 1 / Categoria I, e assim por diante.
Quanto tempo vale a certificação?
A certificação ITC vale 5 anos. A renovação segue as regras do ITC vigentes no momento.
O Nível 1 exige formação técnica?
O curso oficial ITC Nível 1 não exige experiência prévia. Uma base em elétrica, mecânica ou manutenção ajuda, mas não é obrigatória.
Onde fazer os cursos oficiais ITC no Paraná?
A Alpes Automação organiza turmas oficiais do ITC em Curitiba. Já houve turmas de Nível 1 em junho de 2025, a primeira do ITC no Paraná, e de 9 a 12 de junho de 2026, na AECIC. As próximas datas são avisadas primeiro a quem está na lista.
Próximo passo: entre na lista das turmas
Ainda não há próxima turma marcada em Curitiba. Quem está na lista recebe as datas primeiro, por e-mail e WhatsApp, e tem prioridade nas vagas, tanto do Nível 1 quanto dos níveis seguintes. Inscreva-se na lista ou conheça todos os cursos oficiais de termografia ITC.












