Pular para o conteúdo
Alpes Automação
  1. Início
  2. Blog
  3. Termografia

Normas de termografia: guia das referências no Brasil e no mundo

Normas de termografia: guia das referências no Brasil e no mundo

As principais normas de termografia se dividem em quatro grupos. A ISO 18436-7 trata da qualificação do profissional. A ISO 18434-1 e a ASTM E1934 tratam do método de inspeção. As normas da ABNT (NBR 15424, 15572, 15763 e 16292) trazem a terminologia, o guia de inspeção, a periodicidade e a compensação da temperatura refletida no Brasil. E a NR-10, a NFPA 70B e os critérios de ΔT da NETA entram na segurança, na manutenção elétrica e na classificação de severidade.

Nenhuma delas, sozinha, resolve tudo. Um programa de inspeção sério combina várias: uma diz quem pode inspecionar, outra como medir, outra com que frequência e outra o que é urgente.

Um aviso que vale para o texto inteiro: normas são revisadas. Os números e títulos citados aqui são os que o mercado usa como referência, mas consulte sempre a versão vigente antes de citar uma norma em procedimento, contrato ou laudo.

Por que as normas importam na termografia

A câmera termográfica converte radiação infravermelha em temperatura, usando parâmetros que o operador informa, como emissividade e temperatura refletida. Se cada profissional medir de um jeito, os resultados não se comparam. As normas resolvem isso de três formas:

  • Padronizam a linguagem. Termos como temperatura aparente, ΔT e temperatura refletida passam a significar a mesma coisa para todos.
  • Padronizam o método. Definem condições mínimas de medição, o que registrar e como comparar componentes.
  • Dão base ao laudo. Um relatório que cita a referência de severidade usada é mais fácil de defender numa auditoria.

Normas sobre o profissional: ISO 18436-7 e as diretrizes da ASNT

A ISO 18436-7 faz parte da série ISO 18436, que trata da qualificação e avaliação de pessoal em monitoramento de condição e diagnóstico de máquinas. A parte 7 é dedicada à termografia. Ela organiza o profissional em três categorias (I, II e III), com exigências crescentes de treinamento, experiência e exame.

  • Categoria I: executa inspeções seguindo procedimentos definidos, coleta imagens e dados com qualidade.
  • Categoria II: faz medições quantitativas, interpreta resultados, classifica severidade e escreve laudos.
  • Categoria III: estrutura programas de inspeção, escreve procedimentos e orienta outros termografistas.

Nos Estados Unidos, a ASNT (American Society for Nondestructive Testing) publica diretrizes de qualificação e certificação de pessoal em ensaios não destrutivos, como a prática recomendada SNT-TC-1A, que também cobre o método infravermelho. Ela usa a lógica de Níveis I, II e III, muito parecida com as categorias da ISO.

Os cursos oficiais do ITC (Infrared Training Center, o centro de treinamento da FLIR) seguem as diretrizes da ASNT e a ISO 18436-7. Por isso os níveis 1, 2 e 3 do ITC conversam diretamente com as categorias da norma. A comparação completa entre eles está no guia de níveis de certificação em termografia.

Normas sobre o método: ISO 18434-1 e ASTM E1934

A ISO 18434-1 é a parte da série ISO 18434 que trata da termografia aplicada ao monitoramento de condição de máquinas. Ela traz os procedimentos gerais: como planejar a inspeção, quais fatores interferem na medição, a diferença entre abordagem qualitativa (comparar padrões térmicos) e quantitativa (medir temperaturas) e como registrar os resultados.

A ASTM E1934 é um guia norte-americano para o exame de equipamentos elétricos e mecânicos com termografia infravermelha. Ajuda a organizar o serviço: o que combinar com o cliente, o que coletar em campo e o que o relatório deve conter. As duas são boas leituras para quem monta o primeiro procedimento interno.

As normas brasileiras da ABNT para termografia

No Brasil, a ABNT publica uma família de normas de ensaios não destrutivos voltadas à termografia. As quatro mais citadas em programas de manutenção são estas.

ABNT NBR 15424: terminologia

Define os termos usados na termografia em português. Parece detalhe, mas evita confusão em laudos e contratos. Quando o relatório fala em "temperatura aparente", "emissividade" ou "temperatura refletida", a NBR 15424 é a referência para o significado de cada termo.

ABNT NBR 15572: guia de inspeção de equipamentos elétricos e mecânicos

É o guia brasileiro para a inspeção termográfica de equipamentos elétricos e mecânicos. Ela orienta sobre preparação, condições de medição, cuidados durante a inspeção e registro dos resultados. Costuma ser a norma de base dos procedimentos de inspeção em indústrias brasileiras. Veja como isso se traduz em campo no guia de termografia em painéis elétricos.

ABNT NBR 15763: periodicidade de inspeção em sistemas elétricos de potência

Trata dos critérios para definir de quanto em quanto tempo inspecionar sistemas elétricos de potência. A ideia central é que a periodicidade não deve ser igual para tudo: ela depende da importância do equipamento, do histórico de falhas e das condições de operação. É a norma que ajuda a justificar por que uma subestação crítica é inspecionada com mais frequência que um quadro de iluminação.

ABNT NBR 16292: medição e compensação da temperatura aparente refletida

A temperatura refletida é uma das maiores fontes de erro na medição. Superfícies com baixa emissividade, como metais polidos, refletem a radiação do ambiente, e a câmera pode "ler" uma fonte quente ao lado em vez do objeto. A NBR 16292 descreve como medir e compensar esse efeito com câmeras termográficas. O assunto é explicado em detalhes no artigo sobre emissividade na termografia.

Termografista realizando inspeção com câmera termográfica FLIR T865 em instalação industrial
As normas definem quem pode inspecionar, como medir e como classificar o que foi encontrado.

Segurança: NR-10 e o trabalho perto de partes energizadas

A NR-10 é a Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho sobre segurança em instalações e serviços em eletricidade. Ela não é uma norma de termografia, mas é obrigatória para qualquer inspeção elétrica no Brasil.

A termografia elétrica precisa ser feita com o equipamento energizado e, de preferência, com carga. Muitas vezes isso exige abrir portas de painéis. Por isso a NR-10 entra no programa em pontos como:

  • trabalhador capacitado e autorizado para atuar em instalações elétricas;
  • análise de risco antes da atividade;
  • uso de EPI e vestimenta adequados ao risco de arco elétrico;
  • respeito às zonas de risco e controlada, mantendo distância das partes energizadas;
  • procedimentos escritos para abertura de painéis energizados.

Janelas de inspeção infravermelha em painéis críticos permitem medir sem abrir a porta e reduzem a exposição, mas não dispensam a análise de risco.

Manutenção elétrica: NFPA 70B

A NFPA 70B, da National Fire Protection Association (EUA), trata da manutenção de equipamentos elétricos. Na edição de 2023 ela deixou de ser uma prática recomendada e passou a ser uma norma, com requisitos para quem a adota. A inspeção termográfica aparece como parte do programa de manutenção elétrica, com periodicidade ligada à condição e à criticidade do equipamento.

No Brasil, a NFPA 70B não é obrigatória por lei, mas aparece em políticas corporativas de manutenção, sobretudo de multinacionais. Se o cliente a cita, leia a edição vigente.

Critérios de severidade: a referência da NETA

A NETA (InterNational Electrical Testing Association) publica especificações de testes de manutenção elétrica que incluem uma tabela de referência para classificar achados termográficos por ΔT, ou seja, pela diferença de temperatura. A comparação pode ser feita entre componentes semelhantes sob carga semelhante ou entre o componente e o ar ambiente.

ΔT entre componentes semelhantesΔT acima do ambienteAção sugerida
1 °C a 3 °C1 °C a 10 °CPossível deficiência: investigar
4 °C a 15 °C11 °C a 20 °CProvável deficiência: reparar quando possível
Não se aplica21 °C a 40 °CMonitorar até a correção
Acima de 15 °CAcima de 40 °CGrande discrepância: reparar imediatamente

A tabela acima resume o critério de referência mais difundido e serve como ponto de partida. O importante é o laudo dizer qual escala usa. Consulte a versão vigente da especificação da NETA e ajuste os critérios ao tipo de equipamento, à carga no momento da medição e à criticidade do ativo.

Tabela-resumo: qual norma responde a qual pergunta

ReferênciaOrigemPergunta que responde
ISO 18436-7InternacionalQuem está qualificado para inspecionar e em que nível?
Diretrizes ASNT (SNT-TC-1A)EUAComo qualificar e certificar pessoal em ensaios não destrutivos?
ISO 18434-1InternacionalQuais os procedimentos gerais da termografia em máquinas?
ASTM E1934EUAComo organizar o exame de equipamentos elétricos e mecânicos?
ABNT NBR 15424BrasilO que significa cada termo?
ABNT NBR 15572BrasilComo inspecionar equipamentos elétricos e mecânicos?
ABNT NBR 15763BrasilCom que frequência inspecionar sistemas elétricos de potência?
ABNT NBR 16292BrasilComo medir e compensar a temperatura refletida?
NR-10Brasil (obrigatória)Como trabalhar com segurança perto de eletricidade?
NFPA 70BEUAComo estruturar a manutenção de equipamentos elétricos?
Critérios de ΔT da NETAEUAQuão grave é o ponto quente encontrado?

Como as normas aparecem num programa de inspeção

As normas não ficam na gaveta. Num programa de termografia bem montado, cada etapa se apoia em uma ou mais referências:

  1. Planejamento. Ativos, rotas e periodicidade por criticidade, com base na NBR 15763 para sistemas elétricos de potência.
  2. Equipe. Termografistas qualificados conforme a ISO 18436-7 ou diretrizes da ASNT, cada um atuando dentro do seu nível. Quem classifica severidade e assina laudo deve ter qualificação compatível.
  3. Segurança. Análise de risco, autorização e EPI conforme a NR-10 antes de abrir qualquer painel.
  4. Medição. Procedimento baseado na NBR 15572 e na ISO 18434-1, com emissividade ajustada e temperatura refletida compensada conforme a NBR 16292.
  5. Classificação. Severidade por ΔT, usando os critérios da NETA como referência ou uma tabela interna documentada.
  6. Relatório. Laudo com terminologia da NBR 15424, condições da medição, imagens, ΔT, prioridade e prazo. Veja o passo a passo em o que deve ter um laudo de termografia.
  7. Revisão. Reinspeção depois do reparo e atualização do procedimento quando a norma muda.

Como ter acesso e manter as normas atualizadas

As normas da ABNT, da ISO, da ASTM e da NFPA são vendidas pelas próprias entidades; a NR-10 é pública, no site do governo federal. Mantenha uma lista das normas que o seu procedimento cita, com o ano da edição, revise-a todo ano e cite no laudo a edição usada.

Perguntas frequentes

A termografia é obrigatória por norma no Brasil?

Não existe uma lei geral que obrigue todas as empresas a fazer termografia. A NR-10 é obrigatória para trabalhos com eletricidade e exige manter as instalações em condições seguras. A termografia é uma das ferramentas mais usadas para isso, e muitas políticas corporativas e contratos passam a exigi-la.

Qual norma define o nível de certificação do termografista?

A ISO 18436-7 define as Categorias I, II e III para termografia em monitoramento de condição. As diretrizes da ASNT seguem lógica semelhante com os Níveis I, II e III. A certificação ITC segue ambas e vale 5 anos.

Posso usar a tabela da NETA em qualquer equipamento?

Ela foi pensada para equipamentos elétricos e é uma referência, não uma regra única. Ajuste os critérios ao tipo de componente, à carga no momento da medição e à criticidade do ativo, e registre no laudo qual critério foi usado.

Preciso ter todas essas normas para começar a trabalhar?

Não. Comece pelas que se aplicam ao seu serviço: NR-10 para inspeção elétrica, NBR 15572 como guia de inspeção e um critério de severidade documentado. As demais entram conforme o programa cresce e os clientes pedem.

Aprenda a aplicar as normas na prática

Ler a norma é o primeiro passo; aplicá-la em campo é outra história. Os cursos oficiais do ITC ensinam a medir, compensar e classificar seguindo essas referências, e o curso de termografia Nível 1 em Curitiba tem 32 horas, em 4 dias, sem exigir experiência anterior.

A Alpes Automação já realizou turmas oficiais do ITC em Curitiba em junho de 2025, a primeira no Paraná, e de 9 a 12 de junho de 2026. Ainda não há próxima turma marcada. Entre na lista e seja avisado primeiro quando abrirmos inscrições, ou conheça todos os treinamentos de termografia.

Cursos oficiais ITC

Inscreva-se para saber das próximas turmas

Os cursos oficiais ITC ensinam a aplicar as normas na prática, da medição ao laudo.

Entre em contato

Inscreva-se para saber das próximas turmas

Deixe nome, e-mail e WhatsApp: avisamos primeiro quando abrirmos a próxima turma dos cursos oficiais ITC.

Envie sua mensagem

Respondemos em horário comercial. Se preferir, chame no WhatsApp.

Fale no WhatsApp